Sobre

Na minha cabeça (e mãos) existem muitas viagens e muitos fascínios. O dia-a-dia alimenta as minhas compulsões artísticas de muitas formas. No início foquei-me na infância e na exploração das criaturas que me apareciam nos sonhos, depois as coisas mudaram, nem tanto porque o assunto se esgotou, mas porque quando trabalho em locais e condições diferentes há um pedaço de mim que vai embora e outro novo que o substitui. Quando comecei este percurso refugiava-me (ou mergulhava) na incerteza (mas segura) da bidimensionalidade. Sempre criei tudo de imaginação, sendo que o real só me interessa porque dele tiro materiais que posso usar. Houve um dia, em Londres, em que alguém despejou à porta do prédio onde vivia um monte de bonecos. Salvei a maior parte deles e levei-os para o estúdio na Slade School of Fine Art. O tigre gigante foi, aliás, sentado ao meu lado no autocarro com óculos de sol, devido à claridade intensa! A partir daí, aproveitei muito do que encontrei e incluí no meu trabalho. Menos os tais bonecos, nesses nunca quis tocar porque foram os mensageiros!

Depois de algum tempo sem pintar (tinha andado a criar objectos e esculturas com materiais de duração duvidosa) surgiu um fascínio com as tensões que podia criar entre o mundo da pintura e da escultura. Então comecei a pintar novamente, mas ‘profanava’ a tela e o papel – cortava-os, colava-lhes objectos e materiais que encontrasse, queria que o mundo entrasse neles. Mais tarde dediquei-me à escultura não só porque já tinha acumulado muitos materiais e objectos, mas também porque me interessava explorar contrastes entre matérias mais nobres (clássicas) e outras banais ('pobres') num contínuo trabalho experimental muito íntimo que me serviu para sondar a minha identidade.

À parte de tudo isto, o meu trabalho sempre consistiu numa mitologia pessoal (de trazer por casa) e surge também de um interesse por antigas civilizações, religiões, esoterismo, misticismo. Histórias, personagens e questionamentos emergem e eu dou-lhes a forma de que precisam para se tornarem tangíveis. Interessa-me a questão da possível encenação do meu trabalho e de ele se situar num limbo entre o visível e o invisível (o que é dito e o que é calado). Prefiro a imersão à compreensão.

CV

(Porto, 1986)
Vive e trabalha no Porto

Professora assistente convidada na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Portugal.

Formação

Mestrado em Pintura, Slade School of Fine Art, Londres, Reino Unido;

Licenciatura em Pintura, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Portugal.

Exposições individuais

Joana BC | Aqueles que ouvem os sons (e os muitos gritos) do mundo, Edge Arts, Espaço Amoreiras, Lisboa, Portugal;

Just love me, Trélex Residency, Suíça.

Exposições colectivas

Détours et dérives - Biennale internationale du lin de Portneuf, Moulin de la Chevrotière, Deschambault, Québec, Canadá

Contextile 2018 – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, Portugal;
XX Bienal Internacional de Arte de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal;
ARTIS XVI – Festival de Artes de Seia 2018, Casa Municipal da Cultura de Seia, Portugal;

Dans le rôle, Museu São João de Deus, Sintra, Portugal;

Arte de Bolso 2017, Galeria Sete, Coimbra, Portugal;

Seepferdchen und flugfische / Seahorses and flying fish, Forum Alte Post, Pirmasens, Alemanha;
Seepferdchen und flugfische / Seahorses and flying fish, Thermen am Virhmarkt, Trier, Alemanha;
Seepferdchen und flugfische / Seahorses and flying fish, Arp Museum Banhof Rolandseck, Remagen, Alemanha;

Made in Balmoral: Joana BC | Ahram Kwon, Bad Ems, Alemanha;

Colectiva, Centro das Artes do Espectáculo, Sever do Vouga, Portugal;

MA/MFA Slade Degree Show 2011, Slade School of Fine Art, Londres, Reino Unido;
Foire Internationale du Dessin 2011, Cité Internationale des Arts, Paris, França;
Art in Focus Black and White Flower Painting, Imperial College Healthcare Charity Arts Committee, Londres, Reino Unido;

MA/MFA Slade Interim Show, Woburn Square, Londres, Reino Unido;
Istanbul was Constantinople, Hush Gallery, Istambul, Turquia;

Colectiva de Verão 08, Galeria Corrente d'Arte, Lisboa, Portugal;
As Belas e os Maus, Maus Hábitos, Porto, Portugal;
Salão Corporativo, Plano B, Porto, Portugal.

Residências

BILP - Biennale internationale du lin de Portneuf, Deschambault, Québec, Canadá

Künstlerhaus Schloss Balmoral, Bad Ems, Alemanha;

Trélex Residency, Trélex, Suíça.

Bolsas

Biennale internationale du lin de Portneuf programa de residências artísticas artista convidada , Junho-Julho 2019, Deschambault, Québec, Canadá

Bolsa Künstlerhaus Schloss Balmoral para artista residente, Junho – Agosto 2015, Bad Ems, Alemanha.

Publicações

contextile 2018 (in)organic (catálogo), 2018
Bienal de arte têxtil contemporânea
Páginas: 84 - 85

artes plásticas tradicionais e artes digitais o discurso da desordem (catálogo), 2018
XX Bienal Internacional de Arte de Cerveira 2018
Página: 175

Dans le rôle (catálogo), 2017
Editor: P28 / Museu São João de Deus, Portugal

Seepferdchen und Flugfische / 2015 (catálogo), 2016
Editor: Salon Verlag, Alemanha
Páginas: 77-78, 90-92

FID Drawings for the Future (catálogo), 2011
Editor: Lelivredart, Paris
Página: 101